Seu filho quer brincar com outras crianças, mas parece não saber como se aproximar? Tem dificuldade para pedir ajuda, compartilhar interesses ou participar de uma conversa? Ou prefere interações de um jeito diferente do esperado para a idade?
Essas situações são comuns nas dúvidas de famílias de crianças autistas. A comunicação e a interação social podem se desenvolver de maneiras muito diferentes de uma criança para outra — e isso não significa falta de interesse, afeto ou capacidade de aprender.
No autismo, podem existir diferenças na comunicação social e na interação, assim como maneiras particulares de brincar, aprender, prestar atenção e se relacionar com o ambiente.
Com acompanhamento individualizado, oportunidades adequadas de aprendizagem e participação da família, muitas habilidades podem ser ampliadas. O objetivo não é ensinar a criança a esconder características do autismo ou obrigá-la a se comportar como as outras, mas ajudá-la a comunicar necessidades, compreender melhor as situações sociais, criar vínculos e participar do cotidiano com mais autonomia.
Na Little TEA, clínica para autismo localizada na zona sul de São Paulo, em frente ao Metrô Paraíso, esse trabalho pode acontecer por meio de estratégias baseadas em evidências, como a Terapia ABA e a Terapia Modelo Denver, sempre considerando o perfil e o momento de desenvolvimento de cada criança.
O que são habilidades sociais?
Habilidades sociais são comportamentos e formas de comunicação que utilizamos para participar das relações com outras pessoas.
Elas aparecem em situações muito simples do cotidiano: chamar alguém para brincar, pedir ajuda, responder quando outra pessoa inicia uma interação, mostrar algo interessante, esperar uma pequena pausa durante uma atividade ou demonstrar que não quer continuar uma brincadeira.
Para algumas crianças, essas habilidades são aprendidas naturalmente pela observação. Para outras, especialmente quando há diferenças no desenvolvimento, pode ser necessário ensino mais intencional e estruturado.
No autismo, isso precisa ser feito com cuidado.
Desenvolver habilidades sociais não significa exigir contato visual constante, impedir movimentos de autorregulação ou ensinar uma criança a esconder suas necessidades para parecer socialmente adequada.
O foco deve estar em habilidades que realmente façam diferença para sua comunicação, segurança, participação, independência e qualidade de vida.
Comunicação vai muito além da fala
Quando falamos em comunicação, é comum pensar imediatamente em palavras e frases. Mas uma criança se comunica de muitas outras formas.
Ela pode apontar, fazer gestos, entregar um objeto, levar um adulto até aquilo que deseja, utilizar expressões faciais, figuras ou recursos de comunicação alternativa.
Por isso, antes de ensinar novas habilidades, o especialista em autismo procura compreender como aquela criança já se comunica.
Uma criança que ainda não utiliza a fala funcional, por exemplo, pode precisar aprender uma maneira eficiente de pedir água, ajuda, uma pausa ou seu brinquedo favorito.
Outra criança pode falar frases completas, mas ter dificuldade para iniciar uma conversa ou explicar que está desconfortável.
As necessidades são diferentes e a intervenção também deve ser.
Quais habilidades sociais podem ser desenvolvidas?
Os objetivos precisam ser escolhidos individualmente, levando em consideração idade, nível de desenvolvimento, interesses, necessidades e prioridades da família.
Entre as habilidades que podem ser trabalhadas estão:
- pedir ajuda, objetos, atividades ou pausas de maneira funcional;
- iniciar e responder a interações;
- compartilhar interesses e experiências;
- desenvolver atenção compartilhada;
- participar de brincadeiras com adultos ou outras crianças;
- esperar e alternar turnos em atividades;
- compreender instruções e pistas sociais importantes;
- expressar preferências, recusa, desconforto e emoções;
- ampliar formas de comunicação verbal ou alternativa;
- participar de atividades em grupo com apoio adequado;
- resolver pequenas situações sociais do cotidiano;
- desenvolver maior independência para comunicar necessidades.
A Academia Americana de Pediatria já destacou que o ensino de habilidades sociais pode envolver responder às aproximações de outras pessoas, iniciar interações e desenvolver repertórios mais flexíveis de resposta. Também aponta a relevância da atenção compartilhada no desenvolvimento da comunicação social.
Atenção compartilhada: um pequeno gesto com grande importância
Imagine uma criança vendo um avião no céu.
Ela olha para o avião, depois para o adulto e talvez aponte, como se dissesse: “Olha isso comigo!”.
Essa troca é um exemplo de atenção compartilhada: duas pessoas direcionando a atenção para algo em comum.
Ela pode acontecer por meio do olhar, do apontar, de um gesto, de uma vocalização ou de outra forma de comunicação.
Essa habilidade é importante porque cria oportunidades para comunicação, interação e aprendizagem.
Uma criança pode aprender gradualmente a mostrar algo interessante, acompanhar aquilo que outra pessoa está indicando ou participar de uma atividade compartilhada.
As Diretrizes do NICE recomendam intervenções de comunicação social que incluam estratégias baseadas em brincadeiras para favorecer atenção compartilhada, engajamento e comunicação recíproca, adaptadas ao nível de desenvolvimento da criança.
Como a Terapia ABA trabalha habilidades sociais?
A Terapia ABA, ou Análise do Comportamento Aplicada, utiliza princípios científicos da aprendizagem para compreender habilidades que já fazem parte do repertório da criança e identificar aquelas que ainda precisam ser desenvolvidas.
O primeiro passo não deveria ser simplesmente decidir que a criança “precisa socializar mais”.
É preciso transformar objetivos amplos em habilidades observáveis e relevantes.
Por exemplo, em vez de definir apenas “melhorar a interação”, a equipe pode trabalhar para que a criança aprenda a chamar um adulto para ajudá-la, responder à iniciativa de um colega ou participar por alguns minutos de uma brincadeira compartilhada.
Na prática, o profissional pode criar oportunidades de aprendizagem durante jogos, brincadeiras, atividades estruturadas ou acontecimentos naturais da rotina.
O comportamento da criança é observado, os apoios necessários são oferecidos e respostas importantes podem ser reforçadas de maneira positiva.
Com o tempo, esses apoios são ajustados conforme a evolução.
Aprender habilidades sociais brincando
Para crianças pequenas, brincar é uma das formas mais importantes de interação com o mundo.
Por isso, habilidades sociais não precisam ser ensinadas apenas em uma mesa ou por meio de exercícios repetitivos.
Imagine uma criança que gosta muito de carrinhos.
O terapeuta pode entrar nessa brincadeira e criar oportunidades para desenvolver comunicação: pedir um carrinho, escolher uma cor, entregar um objeto, participar de uma sequência de brincadeira ou permitir que outra pessoa faça parte da atividade.
Em outro momento, bolhas de sabão podem ser utilizadas para incentivar pedidos e interação. Uma música pode favorecer a imitação. Um jogo simples pode ajudar a desenvolver alternância de turnos.
O CDC descreve abordagens voltadas às relações sociais que buscam ampliar habilidades e participação em interações compartilhadas e também menciona grupos estruturados como uma possibilidade para praticar determinadas habilidades sociais.
O ponto principal é que a interação precisa ter significado para aquela criança.
Terapia Modelo Denver e a interação durante a brincadeira
Na intervenção precoce, outra possibilidade é a Terapia Modelo Denver, conhecida internacionalmente como ESDM.
Essa abordagem combina princípios do desenvolvimento infantil e estratégias comportamentais dentro de interações naturais.
Uma característica importante é utilizar interesses, brincadeiras e atividades compartilhadas como oportunidades para aprendizagem.
Em vez de separar rigidamente o momento de ensinar do momento de brincar, diferentes objetivos podem ser inseridos na própria interação.
A criança pode estar brincando com blocos enquanto pratica comunicação, imitação, atenção compartilhada, participação social e outras competências importantes para seu desenvolvimento.
Na Little TEA, a Terapia Modelo Denver faz parte das possibilidades de intervenção oferecidas especialmente no contexto do desenvolvimento infantil e da intervenção precoce.
É preciso obrigar a criança a fazer contato visual?
Não.
Olhar diretamente para os olhos de outra pessoa pode ser desconfortável para algumas pessoas autistas, e comunicação não depende exclusivamente de contato visual.
Uma criança pode estar ouvindo, compreendendo e participando mesmo sem olhar continuamente para o rosto do interlocutor.
Em uma intervenção individualizada, faz mais sentido trabalhar habilidades funcionais como perceber que alguém iniciou uma interação, comunicar uma necessidade ou compartilhar uma atividade do que transformar contato visual em uma regra.
O mesmo cuidado vale para outras características do autismo.
O objetivo da terapia não deve ser ensinar a criança a esconder quem ela é, mas oferecer ferramentas para que consiga se comunicar e participar do mundo com maior segurança e independência.
E quando a criança não fala?
A ausência de fala não significa ausência de comunicação ou compreensão.
Quando necessário, a equipe pode avaliar formas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), que podem incluir imagens, símbolos, gestos ou dispositivos tecnológicos.
O importante é garantir que a criança tenha uma maneira acessível de expressar necessidades e fazer escolhas.
Poder dizer “quero”, “não quero”, “ajuda”, “acabou”, “pausa” ou “estou desconfortável” pode modificar profundamente sua participação na rotina.
Em alguns casos, comportamentos intensos também podem estar relacionados à dificuldade de comunicar necessidades. Diretrizes clínicas recomendam considerar dificuldades de compreensão e expressão ao avaliar comportamentos que trazem desafios para a criança ou para quem está ao redor.
A família tem um papel essencial
O desenvolvimento das habilidades sociais não acontece apenas durante a sessão.
Grande parte das oportunidades de comunicação surge em casa: durante o café da manhã, na hora do banho, brincando no chão, guardando os brinquedos ou escolhendo o que assistir.
Isso não significa transformar pais e mães em terapeutas.
A orientação parental serve justamente para ajudar a família a identificar oportunidades naturais e utilizar estratégias possíveis dentro de sua rotina.
Se a criança está aprendendo a pedir ajuda, por exemplo, essa habilidade pode aparecer enquanto tenta abrir uma caixa de brinquedos.
Se está desenvolvendo escolhas, os pais podem oferecer duas opções reais durante uma atividade cotidiana.
O NICE recomenda que intervenções de comunicação social envolvam, quando apropriado, pais, cuidadores e professores e sejam ajustadas ao nível de desenvolvimento da criança.
A habilidade precisa funcionar fora da terapia
Imagine que uma criança aprenda perfeitamente a pedir ajuda para sua terapeuta, dentro de uma determinada sala.
Mas, em casa ou na escola, ela ainda não consegue utilizar essa habilidade.
O aprendizado ainda precisa avançar.
Na Terapia ABA, existe uma preocupação importante com a generalização, isto é, fazer com que aquilo que foi aprendido possa aparecer com diferentes pessoas, materiais, situações e ambientes.
Uma habilidade social se torna realmente funcional quando ajuda a criança no cotidiano.
Por isso, pode ser necessário praticar gradualmente com pais, irmãos, professores e outras crianças, sempre respeitando seus limites.
A consistência entre os diferentes ambientes também é destacada nas recomendações do NICE para intervenções comportamentais e psicossociais.
O ambiente influencia a interação
Nem toda dificuldade para participar de uma atividade é necessariamente uma dificuldade social.
Uma sala muito barulhenta, iluminação intensa, excesso de pessoas ou imprevisibilidade podem tornar a interação muito mais difícil.
Por isso, o ambiente precisa ser considerado.
O NICE recomenda levar em conta características sensoriais individuais e realizar adaptações quando necessário, incluindo aspectos como iluminação, ruído, espaço pessoal e utilização de apoios visuais.
Na Little TEA, a estrutura foi planejada para proporcionar acolhimento e favorecer o desenvolvimento infantil, com salas adaptadas, materiais lúdicos e espaços destinados às diferentes propostas terapêuticas.
A clínica está localizada na zona sul de São Paulo, em frente ao Metrô Paraíso, e conta com estacionamento coberto, buscando facilitar também a rotina das famílias que realizam acompanhamento frequente.
Quando procurar um especialista em autismo?
Vale procurar avaliação profissional quando existem preocupações persistentes relacionadas à fala, comunicação, interação, brincadeiras, resposta ao nome, compartilhamento de interesses ou presença de padrões repetitivos e dificuldades importantes diante de mudanças.
Esses sinais isoladamente não determinam um diagnóstico. O desenvolvimento infantil precisa ser analisado de maneira ampla e individualizada.
O CDC destaca diferenças na comunicação e interação social entre as características que podem estar presentes no autismo, mas também ressalta que algumas delas podem ocorrer em pessoas sem autismo.
Por isso, conversar com um especialista em autismo pode ajudar a compreender as necessidades daquela criança e definir quais apoios são adequados.
Ao procurar uma clínica para autismo, é importante observar se os objetivos são individualizados, se a família participa das decisões e se o acompanhamento considera comunicação, aprendizagem, autonomia e qualidade de vida e não somente a redução de comportamentos.
Na Little TEA, a equipe é formada por profissionais com formação em ABA e desenvolvimento infantil. A clínica oferece Terapia ABA presencial e online, Terapia Modelo Denver (ESDM), orientação parental, acompanhamento terapêutico individual e supervisão de casos.
Para famílias que pesquisam por terapia para autista, compreender a proposta de cada abordagem e conversar com profissionais especializados pode ser um primeiro passo para construir um acompanhamento que respeite a individualidade da criança e transforme situações cotidianas em oportunidades significativas de comunicação, participação e aprendizagem.
